quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Procura

Reinventar-me

É preciso continuar.

Mas o passado bate à minha porta
todos os dias
com seus trajes desbotados
suficientes apenas
para marcar sua existência.

É preciso continuar.

Estudei tanto!
Doutora nisto e naquilo
neófita na vida
que teima em me ensinar
todos os dias
as lições que eu não podia imaginar!

É preciso continuar.

Ninguém
professor algum
me ensinou o caminho
que tanta falta me faz !

Amigo
amado
qualquer um ...
alguém que me escute
responda:

Como faço para continuar?
em que cartilha ficou escondida
a lição que agora procuro?



Os que parecem bonzinhos
são os mais crueis...

Onde encontrar o amor?
onde não deixar que o torpor
se faça ar ?


Onde? Onde? Onde?

quem? quem? quem?
Como?

Como? Como?

Continuar!!!!!!!?????

sábado, 12 de março de 2011

Para sempre Gaia


Neste blog, tenho procurado,revisitando Aristóteles, ligar Literatura e realidade. Considerando-se que o conceito de literatura muda bastante- vejamos os formalista, por exemplo- essa não é uma tarefa fácil, apesar dos vários livros editados por Luís Costa Lima,a partir do termo mímesis...
Teorias à parte, falo hoje da minha dor, bem em primeira pessoa, porque ainda está doendo muito.
Faz três dias morreu a Gaia, uma verdadeira mãe, como quer arquétipo junguiano, mas, para mim, acima de tudo, uma companheira feliz, sempre a abanar o rabo vigoroso, derrubando tudo que se encontrava na mesa de centro, "surrando" as pernas alheias, de alegria, pura e simples.
Gaia se foi aos seis anos. Dizem que cada ano canino corresponde a sete humanos. Vá lá. Gaia se foi aos 42 anos. Considerando-se que a média de vida do brasileiro, hoje, está entre 60 e 70 anos, foi-se cedo.
Não consegui relacionar tudo isso com outra obra que não fosse "Marley e eu". Aí começam os possíveis problemas com a crítica: litertura de massa, de entretenimento e não mais o quê. Na verdade, não ligo. O que sei é que o livro- ou o filme- é a única obra que chega perto de meus sentimentos, que fala daquilo que sinto agora: uma tristeza imensa pela perda desse animal, que se fez humano, na convivência diária.
Só esse título dá conta das lágrimas, que teimam em rolar, cada vez que me lembro da Gaia, que me recebia com alegria, noite após noite, quando eu chegava cansada das aulas, e me lambia, generosamente, a cara toda..
Ninguém me recebia como ela...
Lembrei também de um filme : Sempre a seu lado, baseado numa história verídica, que mereceu até estátua no Japão, que falava da fidelidade de um cão a seu dono.
Perdoem-me os mais puristas, mas se a Literatura espelha seu tempo, dá uma opção às pessoas, um outra possibilidade de ver o mundo, não seria esse um caminho? Não estaríamos nós, evoluidíssimos seres do século XXI, necessitando aprender com os seres primitivos, os valores da vida?
Se a literatura, de alguma forma, recria a realidade, alguém deve escrever sobre a dor que eu e minha filha sentimos, ao perder esse ente querido- a cadela Gaia- que por seis anos fez parte de nossa família, mas que, para sempre, estará em nossos corações.
Que a literatura devolva á realidade e se justifique em seu tempo....
Para sempre, em meu coração, a Gaia ficará...

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Evoé!!!

Uma grande questão literária é a relação entre Literatura e Realidade. Desde Aristóteles, essa relação se discute. Na verdade, a questão diz respeito à arte em si, não apenas à Literatura. No entanto, a Literatura é a arte que, na maioria das vezes, consegue se antecipar à realidade, e somente ela...
Por exemplo, tomemos o momento atual e um conto de Kafka.
Quem enfrenta filas, quem se sente um inseto (Metamorfose?) em meio às exigências absurdas da burocracia que re- tomou - não quero saber as novas leis de hífen- as rédeas do país, entende o que digo. Tudo parece tão absurdo quanto em "O Processo" !
Literatura é vida, e se a vida da gente anda chata, como anda nesse governo Lula, a literatura acaba espelhando isso, a não ser que o autor renegue esse estado de coisas e tenha um olhar propesctor.....
Por isso gosto de Joca Terron, por isso gosto de André Santana , por isso gosto de Assionara, que não se entregaram a esse discurso político e ficaram apenas(?)com a literatura...
Viver é bom... Com Literatura é melhor ainda....
Viver é muito difícil...(Guimarães Rosa)
O que é difícil, de modo geral, é bom, muito bom....
Vivamos! Evoé!

domingo, 21 de novembro de 2010

Quem tem medo de Monteiro Lobato?


Andam querendo impedir as crianças de ler Monteiro Lobato, porque alegam que ele é racista. Isso nos leva a pensar que interessa a alguém que a obra dele fique escondida, assim como acontece em momentos de ditadura, quando os livros levam a população a pensar, a questionar o que se diz e faz no país.
É verdade que Emília diz coisas terríveis para Tia Nastácia, mas, antes de pensarmos que Lobato quer disseminar o racismo, devemos lembrar que quando o livro foi escrito essa era a relação existente entre negros e brancos. Ou seja, ele não prega, apenas mostra como era. Mas ele mostra também as mazelas do Brasil, algumas delas muito atuais, depois de quase cem anos de publicação.
Convenhamos, se Lobato fosse racista, por que daria tanto espaço para personagens negros, como Tia Nastácia e Tio Barnabé, afetivamente incluídos na família- são tios_ e narradores de histórias importantes para a cultura brasileira?
Essa história de proibir a leitura também traz a lume uma questão importantíssima: a qualidade do trabalho com a leitura que é feito nas escolas, porque a leitura de qualquer livro, quando orientada por um professor, serve para fazer com que os alunos cresçam, tanto como indivíduos quanto como leitores. Acontece que os professores, principalmente os que atuam de 1ª a 5ª séries, não têm formação alguma para trabalhar com a Literatura. No máximo, fazem um "teatrinho" a partir da leitura e, de resto, querem "ensinar" alguma coisa a partir dela. Acontece que para ler Monteiro Lobato, hoje, é necessário que se contextualize sua produção, que se relacione as obras com o momento em que elas foram escritas, até comparando com o atual, em particular, com a questão racista e mostrar diferenças, questionar o passado, ap0resentar novos olhares sobre a questão...
Absurdo é proibir a leitura de Lobato nas escolas porque as professoras não sabem o que fazer com o texto...
Será pretexto? Incompetência?
Será essa a primeira de muitas censuras?
Esperamos que não....

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

The day after

Hoje é o dia seguinte ao anúncio de que Dilma é a nova presidente do Brasil. Estou triste , apreensiva...Fiz o que pude, respeitando os direitos alheios, para tentar abrir a cabeça de, pelo menos, algumas pessoas, mas não adiantou. O povo elegeu Tiririca e Dilma. Serão mais quatro anos, de pao e circo, sem que eu pudesse fazer nada para impedir. Temo por uma possível ditadura, desta vez de esquerda, que pode começar, assim como o nazismo começou na Alemanha, com o povo achando que Hitler queria o bem da Alemanha e dos alemães.
Fico apreensiva ao notar que as pessoas não percebem as manobras que estão sendo feitas, que as pessoas não se informam e, por isso, não percebem que o lulismo é um tipo de fanatismo, que cega, que nao permite a percepção de nada...
Tantos anos depois da ditadura e aprenderam tão pouco...
Deus nos ajude!

segunda-feira, 8 de março de 2010

VIDA

Hoje foi o dia de meu aniversário. Tudo corria bem, quando me deparei com uma notícia terrìvel, que me entristeceu e me fez refletir sobre o quanto a vida é frágil.
Parece clichê, retomada de um discurso desgastado, mas quando a morte bate na porta ao lado, tudo muda de sentido.
Na rua paralela àquela onde moro, na rua junto à que moro, vivia um rapaz de 20 anos, que naquele dia, quarta-feira passada, comemorava a aprovação no vestibular.
Estava a 30 metros da entrada de sua casa- aquela casa por onde passo sempre, quando saio com os caes, a passear,-quando tentou ajudar um amigo, colocando-se no meio de uma briga, que procurava apaziguar.
Sem que pudesse prever, contou-me sua mãe, o rapaz levou um tiro, destinado, a princípio, a seu colega, a quem tentara ajudar.
Como saiu incólume, o rapaz que seria o alvo fugiu, deixando o amigo ferido, estirado no chão.
O assassino, incoformado com a fuga daquele que desejava matar, tornou a apontar a arma para o rapaz que estava caído e declarou friamente que, já que o outro havia fugido, este , que estava caído, ferido, sem nem mesmo saber por que, deveria morrer em seu lugar. E atirou, à queima roupa, deixando ali, ferido de morte.
A mãe, chamada por conhecidos, tentou desesperada reanimar o filho, fez boca a boca, mas o SIATE demorou e ela assistiu, sem que pudesse evitar, à morte de seu filho.
O assassino, frio, animalesco, continua solto por aí.
A mãe, aquela mulher sinpática, com quem costumo trocar palavras amenas, desesperada narra seu pesadelo aos transeuntes, talvez na tentativa de amenizar o horror, a dor, a revolta e tudo aquilo que a morte absurda de um filho querido traz.
Vontade de mudar o mundo.....
Vontade de mudar as leis, de poder determinar o extermínio daqueles que, tão friamente são capazes de matar um filho e sair, como se nada houvesse acontecido.
Que foi feito da vida daquele rapaz?
Já dizia o poeta: o que se leva dessa vida é a vida que se leva...vida frágil, vida besta, meu Deus....

sábado, 7 de novembro de 2009

Simone, ao vivo, em Curitiba


Hoje fui assistir a um show da Simone, no teatro Guaíra. O último, que eu havia visto , foi no Rio de Janeiro, no Canecão, faz muito tempo.

Desta vez, eu estava sozinha, muito sozinha, mas não foi ruim. O show, como sempre, esteve maravilhoso. Essa cantora, além da maravilhosa voz e do repertório impecável, tem uma presença de palco invejável. Maravilhosa! Assim como as letras das canções que escolhe para interpretar , ou mesmo criar, já que algumas músicas têm letra da própria cantora.

Costumamos dizer, nós literatos, que a letra de uma música nem sempre é poesia. Isso não acontece com as músicas do show. Cada uma mais poética que a outra, cada uma mais musical que a outra..

É a mais legítima representação do gênero lírico, aquele que deriva da lira, o instrumento musical, do qual vêm as mais belas canções que conhecemos.

Valeu a pena, sempre valerá a pena, e não porque a alma não seja pequena, mas porque é um lindo show de Simone....